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150 anos da Praia de Santa Maria
Tenho sentido medo (medo, não, pânico) de escrever, seja o que for, para uma roda de gente jovem, bonita, progressista, patriota, trabalhadora e, sobretudo, estudiosa. Quem fala as barbaridades que a gente escuta, e que invariavelmente começam por os jovens de hoje em dia...?!!!
Perdoai-lhes, pai, porque não sabem o que dizem! Mas falava do meu medo, caramba, coragem, menino, PÂNICO de escrever onde jovens possam ler. Mas, aos poucos, vou-me animando. Afinal, trata-se de gente que tem alguma coisa em comum comigo: o amor pela Praia Maria.
E já que estou em maré de confissões, cá vão as razões verdadeiras do meu medo, caramba PÂNICO: estou-me transformando num velho bota-de-elástico. Sonho com a Praia das matinés às 06 da tarde, estreias/reprises às 09 de noite; vejo as ruas pejadas de cascas de mancarra à noite e, milagre dos milagres, vejo-as, de manhãzinha, limpinhas, um brinco; lembro-me das filas para ver os filmes de cow-boy e dos comentários de Nhâ Chumpinha; lembro-me, com saudades da Toka manca e da mãe e do beco e do Cesário sapateiro e da cortada vemute/grogue; das moreias fritas e vinho branco, na Zé da Rosa, do pontchinho no Taninho, em Ponta-Belém, do pincho e do vinho verde (Quinta da Aveleda, gelada, suada) no Café Portugal; do parque infantil e de suas discriminações, da Praça Grande e da Praça Infante D. Henrique, à Heróis de Mucaba, do Cruzeiro, do Pó di Bandêra, da Meia Laranja; da Pedra Fernandes, da Mulher Branca, dos pic-nics mil. E tenho saudades. E tudo me parece mais bonito. E eu sei que não é verdade. Não havia televisão, rádio com ondas curtas (11/13/17metros) era uma bênção, água corrente, um luxo; viaturas privadas (cada menino com o seu) inimaginável; escasseavam liceus e Universidade e Cidade Universitária eram doces utopias.
Mas sinto saudades das mães mil (hoje há mais tios, é verdade). Temos quase tudo o que queremos, mas aqui o velho sente saudades do Guarda 40 (um dos polícias de giro da minha menineza); da pacatez da Rua do Corvo; do alvoroço da Porta do Cinema (do Sankudja, do Boboche, do Mário Kokorróta, da Titina, da Iracema, do John Mello); do movimento da Escola Grande (de Nhâ Iria, de Nha Laia, da Alice, da Mira, mais e muito mais das guloseimas - puxada, dôce de côco, divertida, rabuzada, chupeta, doce de mancarra). Com a esplanada Sofia aberta todo o dia, lanchonetes mais do que muitos, porquê tantas saudades dos tempos que já lá vão? Freud explicará? Ou a explicação será bem mais simples?
Estou-me transformando num velho bota-de-elástico. Mas de uma coisa estou certo. Aliás, de duas: a Praia continuará no lado esquerdo do meu peito; jamais usarei o palavrório abominável tipo esta juventude de hoje. JURO!
QUE ESTA JUVENTUDE DA PRAIA, DE HOJE, É UM MUST.
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